que os sonhos sejam minha proteção de mim mesma, que eu não alivie nas sensações de amar e que toda a ilusão de contentamento me engane profundamente... que meus olhos nunca se cansem de olhar para o horizonte, ainda que eu durma às vezes e amanheça esquecida do que fiz na noite anterior. que todas as mentiras de amor me alcancem e que eu acredite nelas o tempo que for necessário para eu me refazer da ilusão anterior. que os meus cabelos fiquem cada vez mais grisalhos e que tenham a oportunidade de se tornarem totalmente brancos, sem prazo de validade. que esse sorriso que transborda continue em meu rosto e que se for necessário que ele me abandone, que seja por pouco tempo. que eu tenha sempre em mente que meu coração é um bálsamo de cansaço, cercado de utopia por todos os lados...
(eu já não sei se isso vem de mim ou se vem das águas de Portugal, a palavra aqui traz um lirismo com uma força descomunal, as coisas têm esse ritmo, e brotam num fluxo próprio e simples. parece uma teia bem engendrada de lembranças que nem sei se são minhas ou não. sou tomada por uma sinestesia única e vale dizer que as ruas de pedras, em Lisboa, cantam sozinhas, e de madrugada enquanto todos dormem eu escuto seus fados de saudade em versos rimados.)
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