quinta-feira, 21 de maio de 2026

púrpura pálido



das ausências quase quentes
que imperam ainda
sob as pontas dos dedos
onde habitam as saudades
tardiamente latentes

as razões não se explicam
por crença talvez nem existam
mas são um misto de carinho
e vertigem de deixar-se ficar
um pouco, um pouquinho mais

à noite atravessava o deserto insano 
e deitava-se sobre as dunas mornas
não havia mais vida ali
só o eco do pulsar antigo
o silêncio convidava apenas 
à falta, à lembrança 

o púrpura pálido relembrava 
a rara luz da pele dela 
um rosto reluzente sob o luar
o breve sorriso da musa morta
já não mais

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