num movimento tão cotidiano
as contas se descortinam novamente
ai, os rosários diários
em segundos, minutos e hora
aqueles dedos grossos
de tanto trabalhar na lida
aquelas mãos calejadas
da dureza do mundo
rezavam o terço
de mil contas
pediam pão
pediam calma
mas o tempo dos senhores
não para
nem por honra
nem por dor
o tempo requisita
o tempo rouba
sei hoje, que a terra não é
de quem labuta
a terra não é de quem luta
e não segui meus pais
não segui meu país
não segui meus mortos
não segui
aquelas unhas com terra
abriram meus caminhos
desbravaram muito
mas minha herança não é
o pó sob as unhas
é meu caminhar
nômade e sem paragens
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