sábado, 9 de maio de 2026

ponto, parágrafo



num movimento tão cotidiano
as contas se descortinam novamente
ai, os rosários diários
em segundos, minutos e hora

aqueles dedos grossos
de tanto trabalhar na lida
aquelas mãos calejadas
da dureza do mundo
rezavam o terço 
de mil contas
pediam pão
pediam calma
mas o tempo dos senhores
não para
nem por honra
nem por dor
o tempo requisita
o tempo rouba

sei hoje, que a terra não é 
de quem labuta
a terra não é de quem luta
e não segui meus pais
não segui meu país
não segui meus mortos
não segui

aquelas unhas com terra
abriram meus caminhos
desbravaram muito
mas minha herança não é
o pó sob as unhas
é meu caminhar
nômade e sem paragens

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