olho para o céu e não tenho orações
só o observar da caduquice da vida
me consola
a lentidão das coisas
ou minha ao observar
acalma-me os nervos
e silencia tudo mais
as bardanas continuam a crescer
pelas soleiras das portas
e a velha penteadeira inerte
reflete meu olho absurdo
há que diga que estou bem
que sou linda e que não envelheci
meu olho esquerdo desmente
e obtusa o que falte com a verdade
refletida e refletindo ainda
observo me pelo ângulo mais reto possível
e dançam todas as outras imagens periféricas
quase tudo é neutro hoje em dia
as pontas dos dedos estão alaranjadas
a perspectiva da lógica já não é óbvia
e os sussurros gritam por vezes
unhas encravadas que latejam noite e dia
sorrio quando não estou só
isso esconde ou disfarça
a tristeza que só eu sei que carrego
mas o segredo não pesa
o baile do tempo
os cabelos e o vento sorriem
entre o caos e a desonra
e nuno me acolhe do jeito dele
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