quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

amante gótica



uma única visão atravessa meu dia
a sombra de suas asas refletidas
no asfalto negro como meus pensamentos
oh, gárgula maldita
é minha companhia perfeita
nesses dias que me sinto tão desvelada

talvez no seu sepulcro olhar
eu me desvaneça e tenha
apenas você como companheira
repousada em meu mais profundo eu
sobre a minha lápide final

sinto-me morta e prisioneira
dos meus sentimentos confusos
tão ferinos e obtusos
será entre suas asas 
que enfim, encontrarei acalanto?


fita-me com esse olhar melancólico
gárgula maldita,
segue-me por onde quer que eu vá
pendurada e vazia
no canto frio desse edifício

persegue-me silenciosa e inquisidora
fervilha minha alma inquieta
que não foge mais da dor
e me vê por dentro
enquanto ninguém mais

ah, criatura mitológica
parta-me em pedaços
alivia meu sofrimento
porque faz tempo que não sei
o que é viver em paz

rogo pela a morte
porque não tive muito em vida 
e derrote-me mesmo 
me sentindo vencedora
do pouco que é, não mais estar




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