sábado, 7 de fevereiro de 2026

ainda é cedo



não me roube os livros 
nem os brios
não me roube os risos
e fique um pouco mais

ah, sim, farto-me em dizer
são todos iguais, tais e quais
e me conforma desacreditar
e saber que definitivamente 
não são

tão parecidos brutos e enraivecidos
são todos amigos e eu não

ah, meu amor, seja diferente
de toda essa gente
que muito me mente
que diz querer e não quer
que bem diz maldizendo
que só ama fodendo
com a sanidade dos pacíficos

enquanto tudo brilha nos recôncavos
agora inertes
não retiro uma vírgula
e nenhum nó

acolho meus domingos contigo
tão felizes que não tivemos
e os velos se deixam 
apaziguar em choro
estamos aqui

ah, meu querido, vire os olhos pra lá
e não seja assim, tão definitivo
o que corta na minha pele
é a navalha do perigo
dos códigos que desconheço

ah, meu amor, me surpreenda
e baila comigo a canção
do bandido
e leve-me junto
com meu coração

Nenhum comentário: