sábado, 14 de fevereiro de 2026

como a balada antiga



agora que deito no travesseiro
e olho pra mim no espelho
nada aqui me faz pertencer
você dormindo seu sono tranquilo
enquanto me atormento
por feitio, pura rotina

a existência dentro de imperfeições
e eu nessa rota de colisão
eu, uma balada do Radiohead
torta e decomposta
cantada com voz suave

sei quem sou e como estou
e não há nada de especial aqui
e não tento disfarçar a inconformidade
não tenho mais mais palavras

não há como descrever-me além
daquela velha canção
onde cada um é tão especial
em que o outro é tão lindo
que de tão lindo parece um anjo
tão especial que quase me faz chorar

desafinada, fora do tom, fora do ritmo
grito em desespero, o quanto sou feia
o quanto me sinto inadequada
não que eu seja infeliz por ser tão desprezível

é tanta beleza nesse mundo
que até machuca
é tanta beleza nesse tudo
para se perder tempo 
com o que não presta

Nenhum comentário: