abre-me seus os braços
para os filhos e não filhos
antigos e recém chegados
os obedientes e degredados
abre-me os braços, Portugal
aqui, onde tantos se embriagam e naufragam
são e somos os tardios os filhos
são e somos os tardios os filhos
dos mares e dos bares
de Alfama, do fado
e de Lisboa
que o trago, a dose também acolhe
a bebida é mãe de muitos
e abarca uma legião
há quem vá e volte por ela
ou por um par de pernas
ou pela terra que deixou
por pão
um brinde ao porre, à alegria...
a língua e ascendência não importam
estão todos à porta
à espera de um ou vários abraços quentes
numa dose ou numa garrafa
numa mão morna e aveludada
não importa quem
se fala verdade ou mente
há sempre uma cadeira
um colo
uma canção
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