sábado, 20 de dezembro de 2025

do dia que olhei para Medusa e virei pedra

 

Esse clima de possessões espirituais ateias e selvagens
conduzem uma valsa descompassada no pretérito indefinido
o coração dá o compasso
partido por três enfartes do miocárdio
e por incontáveis amores baldios
já deixaram encardido o pensamento das virgens cuidadosas
que inexistem nos tempos de hoje

Já tenho saudades dos comichões em réplica 
e dos sismos adjacentes deixo agora para as adolescentes
presas em suas cadeias de detalhes redundantes
cheias dessas crenças limitantes e sem importância alguma

Não me sentirei livre nunca, sou meu carcereiro

e para os que estão presos em seus preconceitos,
hecatombes, e leis absurdas no vácuo sabido
deixo o recado mais justo que se pode deixar:

"Dispam-se, diasporem-se de si e fecundem-se
engravidem-se de suas próprias vontades
essas que não teriam coragem de assumir 
para si e deslumbrem-se
desbundem-se
E enquanto morre a lógica presente na calma da satisfação
de maneira narcísica e egóica
entreguem-se, enfim tomados do contra tudo
transbordem constantes e se tornem melhores
bebendo em tuas fontes abertas sob o seu nirvana
ecoado em mantras e hinos"

Eu não tenho cura, sou meu próprio veneno

Nasci velha e cedo demais, meu tempo 
era o futuro que não prosperou 
e que nem viverei para ver
não gasto a minha fé
guardo-a com paciência
como um objeto de valor
talvez o ouro dos tolos 
que revelo como meu ventre de 50
na minha boca suja de 20

Já me decepcionei 
e desapontei muita gente, 
gente demais eu diria...

quem esperou de mim o que não sou
quem me deu a mão e me amparou 
cultivei e cativei tantos ódios íntimos 
por quem eu deveria amar
e fiz com que me odiassem severamente

hoje trago uma pele sob a minha pele
invisível para todos 
uma tatuada manualmente por mim
finamente bordada de tinta negra
essa me lembra quem sou

quem dera houvesse um modo
de compartilhar isso com alguém
mas sou orgulhosa demais 
pra tanto

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