Esse clima de possessões espirituais ateias e selvagens
conduzem uma valsa descompassada no pretérito indefinido
o coração dá o compasso
o coração dá o compasso
partido por três enfartes do miocárdio
e por incontáveis amores baldios
já deixaram encardido o pensamento das virgens cuidadosas
que inexistem nos tempos de hoje
Já tenho saudades dos comichões em réplica
e dos sismos adjacentes deixo agora para as adolescentes
presas em suas cadeias de detalhes redundantes
cheias dessas crenças limitantes e sem importância alguma
Não me sentirei livre nunca, sou meu carcereiro
e para os que estão presos em seus preconceitos,
hecatombes, e leis absurdas no vácuo sabido
deixo o recado mais justo que se pode deixar:
"Dispam-se, diasporem-se de si e fecundem-se
engravidem-se de suas próprias vontades
essas que não teriam coragem de assumir
para si e deslumbrem-se
desbundem-se
E enquanto morre a lógica presente na calma da satisfação
de maneira narcísica e egóica
de maneira narcísica e egóica
entreguem-se, enfim tomados do contra tudo
transbordem constantes e se tornem melhores
bebendo em tuas fontes abertas sob o seu nirvana
ecoado em mantras e hinos"
ecoado em mantras e hinos"
Eu não tenho cura, sou meu próprio veneno
Nasci velha e cedo demais, meu tempo
Nasci velha e cedo demais, meu tempo
era o futuro que não prosperou
e que nem viverei para ver
não gasto a minha fé
guardo-a com paciência
como um objeto de valor
talvez o ouro dos tolos
que revelo como meu ventre de 50
na minha boca suja de 20
Já me decepcionei
Já me decepcionei
e desapontei muita gente,
gente demais eu diria...
quem esperou de mim o que não sou
quem me deu a mão e me amparou
cultivei e cativei tantos ódios íntimos
por quem eu deveria amar
e fiz com que me odiassem severamente
hoje trago uma pele sob a minha pele
invisível para todos
uma tatuada manualmente por mim
finamente bordada de tinta negra
essa me lembra quem sou
quem dera houvesse um modo
de compartilhar isso com alguém
mas sou orgulhosa demais
pra tanto
Nenhum comentário:
Postar um comentário