anoto um beijo calmo e anedótico
anoto um verbo dado e caótico
desses que batem nos nervos tesos
dentro das vaidades absurdas
não cala nem um minuto o pulso
nem o fruir dos pensamentos
anoto para que a mente não esqueça
anoto para que a memória não me falhe
e se falhe que eu recorde
anoto a gana da desvantagem momentânea
da troca do venoso e arterial
mesmo que no fim sejam quase a mesma coisa
o pulso que não para e clama
pois a vida é mais com ou sem drama
anoto o meu soldado redentor e algoz
que me quer e não quer feroz
esse tempo bendito maldito
que me arregaça sem dó ou piedade
se olho para trás ele sorri e se olho pra frente
ele chama: vem amor, odiosa, vem
vem que quero-te na minha cama
ele chama: vem amor, odiosa, vem
vem que quero-te na minha cama
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