o sol
das manhãs que se confundem
iguais e vêm a pio
no desvario
sem pensar, no passo dado
e suplicando, e arrastando,
e lastimando, o dia-a-dia...
o enfado de quem tem tudo
entre as esfinges noturnas:
a lua
das noites mal dormidas
quase iguais e vêm tardia
na desvalia
sem gozar, no silêncio
na escuridão, solitária
e machucada, noite-pós-noite...
a descrença de quem não tem nada
entre as esfinges cotidianas
o amor
dos opostos que se entregam
tão únicos e vêm descompassados
no imenso vazio dos imensos
duas margens que se querem
e se repelem conexos e em laços
se dilaceram e se curam, até que...
os contornos ficarem nítidos
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