das águas que não se prendem
e suaves evaporam
vão como chegaram
apenas em si
tão densas em si
tão completas em si
água de sarjeta
água de remela
de tramela
de suco
de suor
sou feita dessa matéria
de tudo e cada átomo
que me solta e me faz
de cada senzala
de cada cela
de todas as selas
que tentaram me colocar
o cavalo doido
que salta as porteiras
que não se deixa domesticar
e quieto no canto
só trama a próxima fuga
quem sou eu?
quem somos nesse mundo
tão pervertido
tão nômade
tão lindo
sou o brilho refletido
nos olhos dos outros
narcísica
sem perder o contorno
do outro
sou você sendo eu
e me reconheço nesse mar
imenso mar de volver
apenas o som das ondas
que foram para o fundo
se reviraram mar
e hoje batem se debruçam
às margens do rio Tejo
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