quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

limiares

 



entre as esfinges diurnas:
o sol
das manhãs que se confundem
iguais e vêm a pio
no desvario 
sem pensar, no passo dado
e suplicando, e arrastando, 
e lastimando, o dia-a-dia...

o enfado de quem tem tudo

entre as esfinges noturnas:
a lua
das noites mal dormidas
quase iguais e vêm tardia
na desvalia
sem gozar, no silêncio
na escuridão, solitária
e machucada, noite-pós-noite...

a descrença de quem não tem nada

entre as esfinges cotidianas
o amor
dos opostos que se entregam
tão únicos e vêm descompassados
no imenso vazio dos imensos
duas margens que se querem
e se repelem conexos e em laços
se dilaceram e se curam, até que...

os contornos ficarem nítidos